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Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

D., a minha carinha Laroca

 

A primeira vez que entrei naquela casa, achei que iria ter um ataque de claustrofobia! O quarto tinha o tecto baixo, pois no passado ali teria sido uma varanda. O wc era bem apertadinho. Mas o ambiente parecia-me acolhedor. Parecia casinha de bonecas. O que eu não sabia era que ia encontrar uma lá dentro! No fim de observar o resto das divisões, permaneci uns minutos no quarto da I., a dona da casa, e uma colega de trabalho. Ouvi uma porta, olhei para trás e uma carinha laroca saía do duche. Enrolada num roupão vermelho, ainda de toalha no cabelo soltou-me um sorriso de orelha a orelha, como se costuma dizer e como só ela mesmo sabe dar, e disse-me "Olá, sou a D.", "Olá, sou a V." Parece que nos conquistámos uma à outra.

Ao início parecia um pouco estranho. Afinal apenas conhecia a I., mas como sempre fui dada à conversa rapidamente assegurámos horas de conversa. Horas de desabafo "Não quero falar se não vou chorar", horas de sofá a ver tv "D. vai começar o CSI", o café depois do jantar "V. não queres vir beber café? Vai a F. o I. e o F, não demoramos nada", "Não me apetece D., não te esqueças que amanhã me levanto cedo" "Sim sim, vai cedinho para a caminha!!". Se ela chegava a casa e ainda estava acordada fazia uma festa. Quase que me queria levar ao médico por não estar a dormir. Afinal, adoro dormir e ela sabia disso. Ou então "D. queres café que eu vou fazer? Ou chá?". Sempre que ela dizia que sim sentia-me um pedacinho mais feliz. Esse sim significava que ia ficar com ela mais um momento comigo naquele sofá, ou naquela mesa de centro. Para o "corte e costura" habitual. Para os telefonemas aos papás "D. porque estás a gritar?" perguntava-lhe a mãe "é por causa da V., agora até já falo como ela".

Os nossos maiores momentos de partilha eram o jantar. Raramente comíamos comidas separadas. "Queres?" e havia praticamente um sim sempre a seguir. "D. quem trouxe esta mousse de chocolate?" "Sabes que eu preciso de doce. Trouxeste-me a Sericaia?? Eu logo vi que te ías esquecer.." "D. não acredito que compraste este pão-de-ló cheio de creme.. A minha dieta?" "É simples, não comes! Eu comprei para mim!!" E logo de seguida soltava uma gargalhada, certa de que sabia que eu não consegui resistir aquela maravilha que ficava sempre em cima da mesa.

Poderia aqui escrever imensos diálogos. Mais pessoais, menos pessoais. Porque com a D. havia sempre tema de conversa. Sempre uma vontade de estar mais  um pedacinho "Céus, tenho que ir dormir! Já viste as horas?". E ali ficava ela. No sofá, com o portatil no colo. Vagueando entre o msn, o email pessoal e o da faculdade, com pilhas de folhas e livros para estudar. Trabalhos para fazer.

Quando saí daquela casa chorei. Chorei por deixar aquela casa. Chorei por deixar Lisboa. Chorei por deixar os amigos do trabalho. Mas foi quando me despedi da D., quando a vi sair depois do "Só te vou dar um beijo rápido, porque senão começo eu também a chorar", que chorei mais..Logo ali chorei de saudade.

Sei que anda a precisar dos meu mimos. Também eu ando a precisar dos dela. Vimos isso agora no dia do aniversário. Precisamos de abraços fortes e apertados, que os telefonemas que fazemos não nos conseguem dar. Para o ano vou arranjar tempo para estar com ela. Para lhe fazer chá de morango ou de cidreira com mel, ou para o café! Porque D., também tu me fazes falta.

(Texto escrito a 25/11/2009)

 

PS: Parece que Deus escreve certo por linhas tortas. Tenho este post escrito faz algum tempo. Num momento de maior saudade em que te liguei! Mas a chamada durou tão pouco tempo, foi tão curta que ficou aqui dentro um espaço aberto ainda a desejar ser preenchido com emoções e novidades e palavras tuas. Depois recebi a mensagem tua "Tenho tantas saudades tuas e ando tão lamechas que só de ouvir a tua voz fico com uma vontade enorme de chorar. Fazes-me tanta falta (...)". Tabém tu me fazes muita falta. Para o café.. Para o chá de morango ou de cidreira e mel. Para o bacalhau com natas. Para acalmares as tempestades que por aqui passam. Para reclamares das minhas roupas ou para dizeres "Ehhh láaa! Ela hoje produziu-se! Deixa-me maquilhar-te" e eu a seguir dizer-te que não gosto de nada muito carregado.

Sim, também tenho saudades tuas. E muitas!

 

 

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