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Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Hospitais

 

 

Sempre tive traumas com hospitais. Talvez por lá ter passado tanto tempo enquanto pequena, devido à asma. Talvez por ter ficado dois dias num corredor do SO, onde pessoas gritavam e choravam; crianças que pediam pelas mães. E onde o frio era uma constante, que nem aquela manta fina acalmava.

Apesar de não ser muito adepta destes locais (quem o será?), sempre tive muito contacto com eles. Até quando trabalhei na D., os meus trabalhos principais decorriam em hospitais. Conhecia-os de cima a baixo. Pormenores tão específicos que por vezes nem era reconhecidos pelos próprios funcionários.

Nessa altura conseguia perceber os dois lados da moeda. As queixas dos profissionais de saúde sobre os equipamentos e as condições de trabalho que limitavam o atendimento mais rápido aos doentes. Mas também percebia as queixas dos utentes. Que desesperam nas salas de espera em busca de uma consulta que lhes provoque melhoras. Que vivem na esperança de ser o seu nome, o próximo a ser soletrado no microfone de chamada. Que suspiram de ansiedade e sofrimento. Pois que a realidade é apenas uma: quem ali está fá-lo porque não se sente bem. Quem se sente saudável não que de todo partilhar daquele ambiente depressivo, triste, onde todos os problemas nos passam pelo pensamento. Um local desprovido de alegria.


Na sexta-feira logo de manhã fui confrontada com a necessidade de me dirigir ao CHS - HSB com um funcionário. Pelo estado da mazela rapidamente deduzi que não estaria naquela sala de espera muito tempo. Estavam poucas pessoas e pensei que seria um caso de urgência. Não digo emergente, mas diria urgente.

Fazer a ficha e um "aguarde que chamem o seu nome", foram as primeiras palavras de uma maratona que iria tornar-se bastante longa. Teríamos de aguardar pela triagem, pois era aqui que nos colocam uma pulseirita (chamada a triagem manchester). As cores, os graus de urgência e os tempos de espera encontram-se bem explícitos na parede ao lado das informações.

Vermelho - Emergente - Atendimento imediato

Laranja - Muito Urgente - 0-10min

Amarelo - Urgente - 0-60mim

Verde - Pouco Urgente - 0-120min

Azul - Não urgente - 0-240 min

A chamada para a triagem é relativamente rápida, e foi com grande espanto que vejo a cor da pulseira atribuída - verde ou seja, pouco urgente. Uma mão possivelmente partido e com os tendões bastante magoados? ... Não nos restava mais nada além de esperar. De esperar que as cores da parede estivessem erradas e que o tempo de espera fosse inferior ás 2h indicadas. Ou então que estivessem certas e que não tivessemos que esperar mais de 2h. Mas segundo dizem os ditados, um azar nunca vem só, e as 2h bem que passaram. Foi mesmo ao pisar as 3h de espera que ouvimos o tão desejado nome no microfone.

A segunda etapa ja tinha sido ultrapassada, restava-me aguardar. E mais, aguardar para que no fim de 4h de espera sufocante, ouvir alguém dizer "médico do seguro, não fazem aqui mais nada!" "então e medicamentos para as dores não?" "só no médico do seguro".

Para activar o seguro temos de ir ao hospital. Chegamos ao hospital e esperamos horas. E no fim dessas horas mandam-nos para o seguro. Porquê não fazer separar os tipos de atendimento? Se se trata de um acidente de trabalho, deveria seguir para outra sala, para que o atendimento mais rápido permitisse que o doente se deslocasse de imediato ao médico da companhia de seguros.

Na sexta-feira estava incrédula. Não conseguia entender os profissionais de saúde como fazia quando me encontrava mais próximo deles. Acredito que por vezes não podem fazer mais. Mas sei, que em outras vezes podem, conseguem e deveriam fazer mais, e mais rápido e melhor. Simplesmente não querem.

Nem sei que diga mais..