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Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Projecto de vida

Tenho a certeza que nasci já a pensar em ser mãe. Dito isto, as pessoas podem pensar que enlouqueci, mas o meu desejo de ter filhos sempre foi tão forte, que qualquer criança, qualquer bebé, qualquer grávida, rapidamente me arrancava sorrisos e lágrimas. De emoção. De ansiedade. O meu relógio biológico começou a trabalhar tão, tão cedo.

 Quando casei aos 24 anos, pensei que daí a engravidar seria um pulo pequenino. Eu tinha o meu trabalho, o F. tinha o trabalho dele. Ambos certos. Ambos por muito tempo (pensávamos nós). Mas é quando alinhamos tudo para seguir em frente, que a vida nos mostra que, planos a muito longo prazo nunca são bons. É quando pensamos que estamos no caminho certo, que a vida nos diz que tem outros planos para nós.

Claro que numa análise mais fria das vidas humanas, (quase) toda a gente costuma dizer: oh, por mais que se espere pelo tempo certo, pelo emprego certo, pela idade certa, nunca chegamos ao "certo", pois não há uma hora certa para ter filhos. Nós não estávamos mesmo na hora certa e o nosso plano de vida foi adiado. E adiado. E ainda mais adiado. 

Mas os 29 estavam à porta, sendo que com 9 meses de gravidez, se me atrasasse muito, seria mãe depois dos 30. E esta matemática traiçoeira, que nos arrebata o coração e o cérebro, começou a criar em mim uma ansiedade acima do normal. E se não conseguíssemos? E se houvesse alguma incompatibilidade conosco? E se por estarmos envoltos em tanto stress, dificultasse o processo? Conhecemos tantos casais que passaram por isso.. e sabemos tão bem o que eles sofreram..

Não queria pensar assim. Falámos os dois. Eu e ele. E combinámos - nada de ansiedade, nada de pressão, nada de contar a toda a gente o que estamos a planear. Quando calhar, calhou. Quando ficar, ficou. Mas assim ninguém nos questiona com aquelas perguntas incomodativas e insensíveis. E eu queria pensar assim. Com calma. Sem stress. Sem ansiedade. Com confiança de que quando fosse a altura ideal, ela chegaria. Mesmo que o caminho fosse longo.

Mas o caminho não foi longo. Foram 2 meses que nos levaram ao auge da nossa felicidade.

Após 2 testes de gravidez, foi a consulta que nos arrebatou quando ouvimos aquele coraçãozinho acelerado. As lágrimas caíram. O silêncio e os sorrisos trocados entre nós transmitiam felicidade e irradiavam o nosso rosto. Estava ali o nosso propósito de vida. E só tinha pouco mais de 5cm.

A partir daquele momento, nada na vida iria ser igual. Será muito melhor. Pois agora somos 3. Eu, o F. e o nosso "coração fora do peito". 

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