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Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Entre o Aqui e o Ali..

A vida faz-nos querer estar em muitos sítios. Ansiamos por amanhã mas desejamos ser ainda ontem.. Queremos ficar aqui mas ao mesmo tempo que sonhamos já estar ali... É a incerteza que nos conduz pela estrada, cheia de curvas, até ao futuro!!

Férias (Mini) - Campismo

Se não fossem aqueles 15 dias de lua-de-mel no ano passado, poderia estar perante a seguinte afirmação: já passei mais de dois anos sem ter férias, o que na realidade e vida de stress em que (todos) nós vivemos tal pode ser significativo de uma grande sobrecarga a nível de neurónios (o que ainda me resta).

 

E desta decidimos: vamos de fim-de-semana prolongado antes que o nosso poder de concentração se torne tão ínfimos que já não consígamos conter o nível de stress nos mínimos decentes.

 

Como diz um amigo meu: "Só me apetece brigar e discutir", e dado que eu estou quase a atingir esse nível, fui descansar um fim-de-semana à pacata cidade de quarteira. E nada melhor que levar a bela da tenda para umas noites junto da natureza!! Aqui ficam umas memórias!

 

 

 

 

 

 

 

Chuva

 

Este tempo que nos últimos dias nos tem feito companhia, tem-me feito lembrar de outros espaços bastante longínquos. Primária, ciclo, secundária, faculdade.Tempos em que podíamos ficar na cama, sempre que não íamos à escola, a ouvir o ping ping que insistentemente batia no parapeito da janela. O vento forte que fazia a janela tremer e que me levava para um pensamento instantâneo - ainda bem que estou aqui segura e quentinha. A água que corria pela estrada. A mãe que dizia sempre que saía para o autocarro "tem cuidado com a chuva, olha que ficas doente" Não te esqueças da guarda-chuva" Não andes por dentro das poças de água"!

Lembro-me de na primária alguém desafiar vamos cantar para a chuva. Não que a minha voz fosse uma doçura de se ouvir (ainda hoje não o é), mas porque cantar, abrir os braços, e rodar, rodar, rodar se traduzia numa alegria que vinha do interior com uma força, capaz de suportar todos os ralhetes que poderiam seguir-se nessa noite. E tal aconteceu. Lembro que dançávamos e pulávamos ao ritmo de um som de a que chamávamos a dança da chuva, imitando o melhor que conseguíamos os índios de outras civilizações. Mas rapidamente éramos chamados para dentro - meninos, vamos para a sala que está a chover  - e lá íamos nós, sentindo que o nosso momento de respirar chuva, vento e liberdade se tinha esgotado. Tempos de crianças que ficam para sempre cá dentro desta caixinha a que chamam memórias, e que ao relembrá-las leva-nos numa viagem em que até conseguimos sentir o cheiro a chuva dessa dia.

Ontem o vendaval na margem sul era mais que muito como se costuma dizer. Entrava pelos respiradores da casa, e ecoava com fúria desmedida. O despertador tocou, e eu pensei - quem me dera, ser ainda criança, e ouvir da outra porta do quarto filha, deixa-te estar mais um bocadito. O pai ou a mãe levam-te mais tarde e depois falam com a professora. E assim ficava eu, quentinha dentro dos polares, a ouvir a chuva que caía lá fora e o vento que soprava intensamente. Ontem, também eu queria ter ficado dentro dos polares, não sair para a rua, não apanhar chuva nem vento, não virar o guarda-chuva e ficar sem ele. Não ser adulta e não ter que trabalhar, poder pedir a matéria a qualquer amiguinho que tivesse ido à escola. Poder dizer ao pai e à mãe acho que estou a ficar com febre para poder ficar mais um pouquito na cama. Sou adulta e isso obriga-nos a deixar a cama quentinha assim que o relógio toca.Continuo a gostar de ouvir chover, de ver as gotas cair e do barulho do vento, tal como quando era criança.Seja dentro ou fora da cama, à janela, à porta ou até mesmo na varanda.